sábado, 21 de abril de 2007

Ministro Guilherme Cassel e a "retórica vazia" do MST

Guilherme Cassel é o ministro do desenvolvimento agrário do governo Lula. Reempossado em março deste ano, o ministro veio a público agora em abril defender o indefensável: a reforma agrária de Lula.

Em entrevista concedida à emissoras de rádio nesse 19 de abril, Cassel acusou o MST de usar de retórica vazia ao defender a reforma agrária, que nunca se fez tanto nesse terreno no país e que é possível sim garantir a boa convivência entre agronegócio e agricultura familiar.

As declarações do ministro só podem ser encaradas como uma afronta e isso justo no mês em que os movimentos sociais de todo o país elevam a voz em defesa da reforma agrária. Ao invés de solidariedade aos que tombaram no campo, entre eles as vítimas de Eldorado dos Carajás, Cassel se enfrentou diretamente com a nota divulgada no dia 17 de abril pela direção do MST.

Ouça as declarações do ministro:


Ministro do Desenvolvimento Agrário diz que "retórica vazia" do MST cansa sociedade


Agronegócio pode conviver com agricultura familiar, diz ministro Cassel

Leia no portal do PSTU:

Um comentário:

polemista disse...

PSTU chama MST a romper com Lula..., enquanto faz ‘unidade’ com a CMS
‘chapa branca’ para pressionar o
governo ‘à esquerda’!

A direção do MST faz parte da “ala esquerda” da frente popular. Ajudou a eleger e reeleger Lula, apoiando seu governo. Defende a cantilena de que a melhor forma de ajudar o governo, que dizem estar em disputa entre os explorados e os exploradores, a ir “à esquerda” é pressioná-lo com mobilizações, no caso, com ocupações pacíficas.

O PSTU faz um chamado ao MST a “romper com o governo Lula para lutar por reforma agrária”: “Nós chamamos o MST a romper com o governo Lula e se integrar com todas às forças as mobilizações contra as reformas neoliberais e pela reforma agrária” (Opinião Socialista n° 295, 19 a 25/04). Para o PSTU o MST estaria em meio a um “dilema”.

O tragicômico desse chamado é que o PSTU faz o caminho inverso do que “exige” ao MST. Nas próprias manifestações desse dia 17/04 o PSTU celebrou não só unidade de ação, fórmula que soa como um doce na boca de seus dirigentes, mas a unidade política com a CUT governista e com a CMS, sob a base do programa justamente da “ala esquerda” da frente popular.

Essa política ficou explícita na assembléia dos professores estaduais de São Paulo, também realizada neste 17/04. Como de costume a mafiosa Articulação da Apeoesp recorreu ao PSTU como porta-voz da proposta contrária à deflagração da greve da categoria para o dia 27/04, apresentada por agrupamentos como o CCR e a LOI. A frente entre os pelegos da Articulação com o PSTU propôs adiar qualquer discussão sobre a greve para 10 de maio em nome da “unidade do funcionalismo”, gestada no fórum unificado dos servidores públicos estaduais, conformado pela Conlutas e a CMS. Os dirigentes do PSTU anunciaram essa unidade com a CUT governista como “histórica”, sob os olhares desconfiados dos ativistas classistas de base! A Articulação da Apeoesp se opõe à greve contra Serra para não romper o pacto de co-governabilidade entre Lula e o governo estadual tucano. Em nome da “unidade do funcionalismo” o PSTU ajuda o PT a sabotar a greve dos professores contra o governo paulista e, por tabela, preserva o acordo interburguês que dá maior blindagem ao segundo mandato de Lula.

A mesma edição do Opinião Socialista, ao relatar a plenária nacional da Conlutas realizada nos dias 14 e 15, anuncia: “A reunião reafirmou o plano de mobilizações aprovado no Encontro Nacional, destacando a importância do fortalecimento da unidade na luta contra as reformas do governo... O eixo das mobilizações é a luta contra as reformas neoliberais. Os protestos devem reunir todos os setores que se colocam contra os ataques do governo”.

A “unidade” com todos os setores, inclusive os que apóiam o governo Lula, já foi selada. A coordenação nacional da Conlutas acaba de fechar um manifesto conjunto com a CMS, conformada pela CUT, UNE e MST, entre outras entidades, voltado a “intervir nas lutas” do próximo período, particularmente no dia 23/05. O documento, obviamente, não convoca os trabalhadores a derrotar o governo burguês de Lula e construir a greve geral contra suas reformas. Ao contrário, estabelece uma frente política de pressão para que Lula altere sua política econômica, a famosa “mudança” pedida por Stedile, ressuscitando os tempos do “governo em disputa” do primeiro mandato: “A política econômica do governo Lula enriquece banqueiros e grandes empresários, estrangula qualquer possibilidade de investimentos em políticas sociais, mantendo a perversa concentração de renda... Nós, lutadores e lutadoras do movimento, convocamos toda a sociedade para uma grande jornada de lutas, dia 23 de maio de 2007, contra essa política econômica”.

Não por acaso o manifesto celebrado entre a Conlutas e a CMS, sacramentado pela Intersindical, é encerrado com o mesmo chamado adotado pelo MST em sua carta a Lula. Enquanto o MST prega que “Estamos protestando para acelerar a Reforma Agrária” a frente política que a Conlutas e o PSTU acabam de embarcar reivindica que “Estamos nas ruas por mais direitos para o povo”. Qualquer semelhança não é mera coincidência, é produto de uma orientação política que subordina as mobilizações de massa ao lobby sobre o governo Lula.

Como se pode ver, quem está mergulhada em um profundo “dilema” é a militância do PSTU e não o MST e, muito menos, a CMS governista, atados até a medula ao governo Lula e suas verbas milionárias. Quem está deixando sua “base em crise” é a direção revisionista do PSTU que capitula, a passos largos, a frente popular, transformando a “unidade” em um princípio acima da luta de classes, rebaixando completamente seu já limitado programa sindicalista