quinta-feira, 21 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tirica não é engraçado

Quem se lembra dessa história? Aconteceu em 1996.

Por causa da letra da música "Veja os cabelos dela", o palhaço-cantor Tiririca foi processado por organizações do movimento negro. Os rumos que esse processo seguiu constituem um bom exemplo de como a Justiça brasileira costuma tratar casos de discriminação racial.

Ao receber a denúncia, a juíza Flávia Viveiros de Castro, do Rio de Janeiro, concordou com o argumento de que a letra era ofensiva à comunidade negra e feria a legislação em vigor. Por esse motivo, a juíza mandou recolher os CDs que continham a canção.

A gravadora de Tiririca era a poderosa multinacional Sony Music. Seus dirigentes trataram de mobilizar o apoio dos fãs de Tiririca e de alguns de seus artistas contratados. Ao mesmo tempo, muitos intelectuais se pronunciaram contra o que consideravam uma defesa da censura por parte do movimento negro.

A linha de ação da defesa foi apresentar Tiririca como um artista humilde que estaria sendo acusado por militantes raivosos. Mais do que isso: Tiririca era ele próprio um negro e a letra de sua canção seria na verdade uma bem-humorada homenagem à sua esposa. O juiz encarregado do processo resolveu aceitar as absurdas alegações da defesa.

Quem iria homenagear um ente querido chamando-o de "gambá" e "fedorento"? Tiririca acabou absolvido. Meses mais tarde a esposa se separou dele depois de sofrer uma surra impiedosa que deixou seu corpo cheio de hematomas.


Esta é a música que foi absolvida. Talvez antes devêssemos discutir o conceito de arte...

Veja os cabelos dela
Alô, gente, aqui quem fala é o Tiririca
Eu também estou na onda do axé music
Quero ver os meus colegas tudo dançando
Veja, veja, veja os cabelos dela
Parece bombril de ariar panela
Quando ela passa, me chama atenção
Mas seus cabelos não têm jeito não
A sua catinga quase me desmaiou
Olha, eu não aguento o seu fedor
Veja, veja os cabelos dela!
Parece bombril de ariar panela
Eu já mandei ela se lavar
Mas ela teimou e não quis me escutar
Essa nega fede! Fede de lascar
Bicha fedorenta, fede mais que um gambá
Veja, veja, veja os cabelos dela
Como é que é
A galera toda aí com as mãozinhas para cima
Veja, veja os cabelos dela!
Bonito, bonito
Aí, morena, você, garotona
Veja, veja, veja os cabelos dela

sábado, 2 de outubro de 2010

Crônica do João: O voto útil

Nosso camarada João Paulo da Silva preparou uma crônica de "boca de urna" sobre o voto útil e nós não podiamos deixar de usá-la como munição pra este domingo. Não deixe de ler e aproveitando a deixa, não deixe de visitar o blog As Crônicas do João.
O voto útil

Por João Paulo da Silva

Essa quem me contou foi um amigo. É sobre o peso de nossas decisões e as ironias da vida. Ou sobre a nossa consciência de classe.

Seu Zeca trabalhava há vários anos na companhia energética pública de seu Estado. Era esse trabalho que garantia o seu sustento e o de sua família. A estabilidade do serviço público lhe dava, inclusive, certa tranquilidade no ofício e a doce ilusão de ver afugentado o fantasma do desemprego. Seu Zeca sempre teve orgulho do seu trabalho porque através dele ajudava a iluminar as vidas de centenas de milhares de pessoas. Em sua inocência, até se arriscava a dizer que era feliz. Aí veio a eleição para governador do Estado. O ano era 1994.

Seu Zeca, assim como a maioria do povo, entendia que era preciso votar em quem tinha chances de ganhar. Não valia a pena escolher um candidato que mal aparecia nas pesquisas e que não conseguiria vencer a eleição. Era o mesmo que jogar o voto fora. Afinal, voto tinha que ser útil. Por isso, Seu Zeca não pensou duas vezes e optou pelo candidato que estava liderando as preferências, um legítimo cacique da política no Estado e um representante dos interesses de grandes empresários. Seu Zeca era um trabalhador, mas escolheu votar no patrão.

Entretanto, o funcionário da companhia energética poderia ter tomado outra decisão. Na rua em que ele morava, em um bairro popular da cidade, havia um trabalhador que também era candidato ao governo e que sempre falava coisas sobre a esquerda, o socialismo e a importância da classe trabalhadora governar. Mas este trabalhador/candidato não tinha dinheiro para gastar nas eleições e nem o mesmo tempo de TV dos outros. Por isso, aparecia sempre em último nas pesquisas.

- Pois é, Seu Zeca. Eleição não muda nada. Mas a gente também não pode votar nos candidatos daqueles que nos exploram, não é verdade? Trabalhador tem que votar em trabalhador pra fortalecer a nossa luta em defesa da nossa classe. Pra gente um dia poder governar e deixar de ser explorado. – dizia o candidato da esquerda.

- Mas eu não vou estragar o meu voto votando em quem não tem condições de se eleger, rapaz. Se tem dois candidatos na frente das pesquisas, eu tenho que escolher é um dos dois pra não perder meu voto! – afirmava o funcionário da companhia energética.

O trabalhador/candidato ainda tentou argumentar, mas Seu Zeca estava decidido. Iria mesmo votar naquele que estava liderando a campanha e que tinha condições de ganhar. E foi o que aconteceu. O candidato que representava os grandes empresários e que foi escolhido por Seu Zeca venceu as eleições para o governo do Estado.

- Tá vendo aí?! Meu candidato foi eleito, rapaz! E eu não perdi meu voto!

Depois de eleito, uma das primeiras medidas do novo governador foi privatizar a companhia energética pública, onde Seu Zeca trabalhava. Com a venda da estatal para um grupo de empresários, muitos trabalhadores foram demitidos para que os gastos da empresa reduzissem e os lucros aumentassem. Entre os dispensados, estava o Seu Zeca, que acabou, desgraçadamente, perdendo muito mais do que o voto.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Quanto custa o voto de um ministro do STF?

A Revista Época divulgou ontem, 30 de setembro, um vídeo que mostra Adriano Borges, genro de Ayres Britto negociando diretamente com Roriz para barrar a participação do ministro do STF no julgamento do Ficha Limpa. Ayres Britto votou contra Roriz.

Leia a reportagem completa e entenda como funciona o "mercado de votos"



O resultado desse julgamento foi que um bando de corruptos estão concorrendo livremente a cargos pelo país, correndo o risco de se eleger para continuar ando o trabalhador. Enquanto isso, várias candidaturas do PSTU foram impugnadas por questões burocráticas.

Ajude a eleger um deputado socialista. No dia 3, voto útil é 16! Contra este sistema de negociatas e falcatruas.

Imprima sua cola

José Serra: "Vote num careca e ganhe dois"

O PSDB se apropriou do último minuto do PSTU na TV. Mas Serra não respondeu, e a pergunta continua. Serra apoiou ou não Arruda? Já que ele não respondeu, a gente vai dar uma ajudinha ao candidato. Eis a resposta: