quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Matador de guerrilheiros revela detalhes sobre corpos

O ex-coronel Sabastião Curió, um dos militares responsáveis pela aniquilação da guerrilha do Araguaia, fez importantes revelações numa entrevista à revista IstoÉ desta semana.

Curió disse que sabe onde estão enterrados os corpos dos ex-guerrilheiros. Segundo o ex-militar, estão enterrados na região da Palestina, entre a serra do Cachimbo e o município de São Domingos, sul do Pará. “O pessoal dos direitos humanos fica procurando em Xambioá (base militar), mas muitos corpos estão enterrados na Palestina, que na época era uma vila com uma rua de terra”, disse à revista.

Curió ainda revelou detalhes sórdidos sobre a execução de militantes, como o fuzilamento da guerrilheira Sônia (codinome de Lúcia Maria de Souza). De acordo com o ex-militar, Sonia estava ferida na perna e foi morta pela tropa de Curió com uma saraivada de balas.

Em seguida, o corpo de Sônia foi abandonado na floresta e foi dilacerado pelos animais da selva. “Muitos dos combates aconteceram à noite. Quando chegávamos de manhã, alguns corpos estavam comidos, às vezes não tinham nem mais cabeça”, revelou.

Sebastião Curió ganhou prestigio e dinheiro após a matança no Araguaia. Hoje ele é prefeito (pela terceira vez) do município de cidade de Curionópolis (nome dado em sua homenagem), no sul do Pará.

Mesmo com as novas revelações, o governo federal ainda não se pronunciou se realizará ou não novas investigações na área. Até hoje o governo não cumpriu uma decisão judicial que obriga as Forças Armadas abrir seus arquivos sobre a guerrilha.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Conversa de Rua: A caneta de dez cores

Mais um Conversa de Rua saindo do forno. A crônica de João Paulo da Silva de hoje trata de um diálogo entre pai e filho sobre o objeto de desejo do garoto e a dificulade do pai em atender. As vozes são de Giambatista Brito e seu filho de sete anos Caio Marques.

Desta vez publicamos o áudio em um outro serviço de armazenamento, também gratuito, o lifelogger. Quem quiser pode acessar a conta do Molotov lá clicando aqui. Mas para ouvir não precisa ir lá não. É só clicar no "play" aí embaixo. Não esqueçam de deixar a opinião nos comentários.

 

A caneta de dez cores

Por João Paulo da Silva

Alfredo lia o jornal quando o filho de seis anos se aproximou com uma caneta na mão e disse:

- Pai, quero outra caneta. Esta não funciona mais.

- Amanhã eu compro, filho. – respondeu sem tirar os olhos do jornal.

- Mas tem que ser igual a do Maurício.

- Por quê?

- Porque ela é grande, bonita e tem dez cores.

- Dez cores?! – assustou-se.

- Isso mesmo, pai. Dez cores.

Alfredo fechou o jornal, coçou a barba, olhou tristemente para o menino e falou:

- Desculpe, filho. Deve ser muito cara. Eu não posso comprar.

- Por quê?

- Porque nós somos pobres.

- Mas só nós?

- Não, filho. Um montão de gente também é.

- Poxa! É ruim ser pobre.

- É, filho. Se é.

- Por que é que o pai do Maurício pode comprar a caneta?

- Ele deve ser rico.

- Existe muita gente rica?

- Acho que sim, filho.

- Mais do que pobres?

- Com certeza que não.

O garoto calou-se por um instante, parecia estar submerso nos próprios pensamentos. Olhou intrigado para o pai e perguntou:

- Por que é que as coisas são assim?

- Assim, como?

- Uns podem ter. Outros, não. Uns são ricos e outros são pobres. Por quê?

Alfredo pensou, coçou novamente a barba e respondeu:

- São as regras, meu filho.

- Regras?

- Sim. Esse mundo em que vivemos tem suas regras. São elas que dizem o que a gente pode ou não fazer.

- Também são elas que dizem quem é pobre e quem é rico? – quis saber o menino.

Alfredo balançou a cabeça numa afirmativa.

- Não gosto das regras, pai.

- Eu também não, filho. Eu também não.

Fez-se um curto silêncio e, então, o menino disse:

- Sabe o que é que eu acho, pai?

- O quê?

- Todo mundo deveria ter canetas de dez cores.

Rodrigo Ávila: A dívida pública não acabou!

O portal da CONLUTAS divulgou texto do economista Rodrigo Ávila desmontando a mentira do fim da dívida pública que publicamos também aqui. Boa leitura.

A dívida pública não acabou!

Acúmulo de Reservas Cambiais = Farra dos Especuladores e Explosão da Dívida Interna

Depois de divulgar amplamente o pagamento antecipado ao FMI, em 2005, dia 21 de fevereiro de 2008 o governo anunciou mais um suposto marco histórico: o de que os ativos do país no exterior, constituídos fundamentalmente pelas reservas internacionais, superaram a dívida externa pública e privada. Alega o governo que esta é uma evidência da superação do problema da dívida.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que este suposto recorde não passa de manipulação estatística, originada em 2001, durante o Governo FHC, e perpetuada no governo Lula: a exclusão dos empréstimos intercompanhia (dívidas de filiais de transnacionais no Brasil com suas matrizes no exterior) do cálculo da dívida externa. Estes empréstimos dobraram em 2007, passando de US$ 20 bilhões para US$ 42 bilhões, mas são ignorados pelo governo, para que possa propalar um suposto marco histórico.

Em segundo lugar, o que está por trás deste acúmulo desenfreado de reservas cambiais? Uma verdadeira farra dos especuladores nacionais e estrangeiros, que trazem seus dólares em massa ao Brasil para comprar títulos da dívida “interna”, em busca dos juros mais altos do mundo. O resultado disto é a explosão da dívida interna, que atingiu R$ 1,4 TRILHÃO em dezembro de 2007, tendo crescido 40% em apenas 2 anos!

Em 2007, o governo federal gastou R$ 237 bilhões com juros e amortizações da dívida interna e externa (sem contar o refinanciamento, ou seja, a chamada “rolagem” da dívida), enquanto apenas gastou R$ 40 bilhões com a saúde, R$ 20 bilhões com a educação e R$ 3,5 bilhões com a Reforma Agrária. E o governo ainda tem coragem de afirmar que a dívida não é problema!

Conforme denunciado na 3ª Edição da Cartilha “ABC da Dívida” (que estará sendo lançada em breve pela Campanha Auditoria Cidadã da Dívida / Rede Jubileu Sul Brasil), a recente isenção fiscal de Imposto de Renda sobre os ganhos dos estrangeiros, o estabelecimento e a manutenção de taxas de juros altíssimas, e a total liberdade de movimentação de capitais têm gerado as condições para um verdadeiro ataque especulativo contra o Brasil. Os investidores estrangeiros trazem seus dólares para investir na Bolsa e em títulos da dívida interna, e assim forçam a desvalorização do dólar frente à moeda brasileira (o Real). Os bancos e empresas nacionais também se aproveitam disso, tomando empréstimos no exterior (mais baratos devido às baixas taxas de juros) para emprestar ao governo brasileiro, por meio da compra de títulos da dívida interna, recebendo uma fortuna em troca disso, devido às altíssimas taxas de juros do Brasil. Não há limite algum para estas operações, e o Banco Central (BC) compra estes dólares e fornece títulos da dívida interna de acordo com o fluxo de moeda estrangeira ao país. Quando recebem seus lucros e juros em reais, os investidores podem trocá-los por maior quantidade de dólares – uma vez que a moeda brasileira se valorizou – e assim cumprir seus compromissos com o exterior, tendo um lucro extra.

Em 2007, o Real se valorizou 20% frente ao dólar. Portanto, o investidor estrangeiro que no início de 2007 trouxe dólares para aplicar na dívida interna brasileira ganhou, durante o ano, 13% em média de juros, e mais 20% quando converteu seus ganhos em dólar. Portanto, em 2007, os estrangeiros ganharam uma taxa real de juros (em dólar) de mais de 30% ao ano!

Por outro lado, o Banco Central, comprando a moeda estrangeira trazida pelos especuladores, termina ficando com o mico, ou seja, o dólar, que está se desvalorizando. O BC também aplica os dólares (recebidos dos investidores e exportadores) , só que em títulos do Tesouro Americano (que ajudam Bush a financiar seu déficit e suas políticas, como a invasão do Iraque), que rendem perto de um terço dos juros pagos pelo governo brasileiro pelos títulos da dívida interna. Além do mais, como o dólar está em forte desvalorização, os juros pagos pelo Tesouro Americano são, na realidade, negativos para nós.

O resultado disto tudo é um imenso prejuízo para o Banco Central: chegou a R$ 58,5 bilhões apenas de janeiro a outubro de 2007. Este prejuízo é bancado pelo Tesouro Nacional, e correspondeu ao dobro de todos os gastos federais com saúde no mesmo período. Por outro lado, os banqueiros, que se beneficiam desta manobra, não páram de bater recordes de lucro.

Portanto, este suposto marco histórico divulgado pelo governo esconde, na realidade, uma verdadeira reciclagem do velho mecanismo de espoliação da dívida externa, com uma nova máscara: o endividamento “interno”. Este mecanismo é altamente rentável aos investidores estrangeiros, uma vez que, desta forma, eles ficam imunes à desvalorização da moeda americana, recebendo seus lucros e juros em uma moeda que não pára de se fortalecer frente ao dólar.

Além do mais, quando o governo alega que possui recursos para pagar toda a dívida externa, faz uma apologia ao pagamento de uma dívida ilegítima e já paga várias vezes com o sangue e suor do povo, desde os anos 80, quando os EUA, de modo unilateral e ilegítimo, multiplicou as taxas de juros incidentes sobre a dívida externa, levando o Terceiro Mundo à recessão e ao desemprego.

Não há saída para o endividamento sem uma ampla e profunda auditoria, que quantifique quantas vezes já pagamos esta dívida e a que custo social e ambiental. Somente assim poderemos nos libertar dessa amarra que continua nos aprisionando, apesar do governo prosseguir em sua manobra diversionista, tentando sistematicamente, através da divulgação de dados manipulados e parciais, desqualificar os movimentos sociais em favor da auditoria da dívida, na tentativa de esconder que o endividamento continua sendo, cada vez mais, o centro dos problemas nacionais.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Hélio Fernandes: "O BC engana a opinião pública, a mídia aplaude"

O jornalista Hélio Fernandes publicou artigo em sua coluna no Tribuna da Imprensa sobre a grande mentira da semana que é o "fim" da dívida externa brasileira.

Segue o artigo:

O BC engana a opinião pública, a mídia aplaude

A farsa da dívida externa, a fraude da dívida interna

Os madrugadores ansiosos que consultam as edições on-line dos jornais souberam primeiro. Mas os leitores normais souberam só pela manhã: "O Brasil já tem recursos para pagar TODA a dívida externa". Não esqueceram desse TODA, que não é elucidativo mas iliminativo.

Alguma verdade? TODA a verdade? Por que o estardalhaço (manchete em diversos jornais, privilégios em todos os noticiosos de televisão), exatamente neste momento? Interessante que a mídia aceitasse tudo, sem explicação.

Vou sumarizar, revelar apenas os números verdadeiros e questionar o que o BC (de Meirelles, do alto dos seus 6 processos por crimes financeiros) publicou.

Em 1960, a "dívida" externa atingiu 1 BILHÃO de dólares. Em 2000, chegou a 235 BILHÕES. Quer dizer: em 40 anos a DÍVIDA cresceu 235 vezes, é muita indignidade. E mais: nesses 40 anos, o Brasil pagou de juros dessa DÍVIDA inexistente mais de 600 BILHÕES de dólares.

Por que em 2008, 8 anos depois de ter estado em 240 BILHÕES, essa DÍVIDA que começou em 1822 (com a Independência que não houve) caiu para 183 BILHÕES? O Brasil teria pago 57 bilhões do principal? Nada disso, tudo "menas" verdade.

O que aconteceu: há mais de 10 anos, os que tinham títulos do Tesouro Nacional, que rende entre 3 e 4 por cento, descobriram a DÍVIDA INTERNA, que com FHC chegou a pagar juros de 48 por cento, um crime hediondo contra o País e os 180 milhões de brasileiros.

Esses emprestadores, que não são trouxas (como os que enriquecem Edir Macedo), logo, logo mudaram a DÍVIDA. Da externa passaram para a interna, que paga a maior remuneração do mundo. Assim, qualquer um é capaz de perceber que a DÍVIDA externa teria que cair como caiu, enquanto a interna teria que subir, como subiu.

Portanto, nem o governo FHC nem o de Lula têm qualquer mérito na situação apregoada com a maior irresponsabilidade. Primeira pergunta: como é que os dois governos acumularam esses 187 bilhões e 500 milhões para "empatarem" com a DÍVIDA externa? Elementar, trocaram a moeda boa nacional pela moeda podre dos Estados Unidos. E por causa disso, há 30 anos peço A-U-D-I-T-O-R-I-A da DÍVIDA EXTERNA e há menos tempo da DÍVIDA INTERNA.

Primeira resposta: e se o Brasil tivesse investido esses 187 bilhões e 500 milhões de dólares, até onde teríamos ido em matéria de desenvolvimento?

Segunda pergunta: como é que o Brasil até 2006 conseguiu pagar, só de juros, anualmente, 180 BILHÕES de dólares? Não pagava todo esse total, apenas a metade, a outra metade jogava no montante ou no total da DÍVIDA, que assim vai sempre crescendo. (Desde os anos 60, economistas que serviram a diversos governos criaram a frase que seguiam inflexivelmente: "Dívida não se paga, dívida se administra").

Segunda resposta: como é que o governo "arranjava" esses 90 bilhões para pagar metade da DÍVIDA interna? Como diz sempre o mesmo presidente do Banco Central: "ECONOMIZANDO". Economizando, isso não é surpreendente? Traduzindo: o governo assumiu o compromisso com o FMI de pagar pelo menos 4,5% do PIB dessa DÍVIDA. Não economizou nada, deixou de investir, preteriu o espetáculo do desenvolvimento, preferiu ficar bem com o FMI.

Por hoje bastam esses dados. Mas para desmascarar os jornalões, que dizem "pela primeira vez o Brasil se encontra nessa situação", vou mostrar os dados verdadeiros.

PS - De 1940 a 1950, o Brasil teve formidáveis saldos externos. E não existiam as duas dívidas. Também não foi muito mérito de Vargas. Em plena guerra, o Brasil era o único vendedor, todos os outros eram compradores.

PS 2 - Veio então o marechal Dutra, desbaratou esse saldo formidável. Se entregou aos americanos, especialistas em comprar ouro a preço de matéria plástica e vender matéria plástica a preço de ouro.

A falácia do "pagamento" da dívida em charges

Quatro charges para a grande falácia da semana: o "pagamento" da dívida externa. Na sequência: Frank, Duke, Fausto e Henrique.

frank_reservasduke_divida fausto_divida henrique_divida

Cartões corporativos na charge do Duke

O tema do cartão corporativo ainda deve render um bocado e é claro os chargistas agradecem. A sequência de charges abaixo é do Duke.

duke_corporativo_1   duke_corporativo_2duke_corporativo_3duke_corporativo_4 duke_corporativo_5

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Brecht: O Manifesto

Bertold Brecht, é uma referência em poesia militante. Em 1945, iniciou um elogio ao Manifesto, o Das Manifest, que só foi conseguir concluir em 1955, um ano antes de sua morte.

Por conta da extensão do poema publicamos no blog somente a primeira estrofe, mas recomendamos a leitura do texto que pode ser lido na íntegra aqui.

O MANIFESTO

Guerras destróem o mundo, e entre os destroços circula
Visível e imenso, um fantasma; não foi a guerra que o gerou.
Também na paz ele já era visto, terrível aos governantes,
Amável com as crianças do subúrbio. Em cozinhas modestas
Espiou tantas vezes, contrariado, cheio de ira, as panelas vazias.
Tantas vezes aguardou o esgotado, ante buracos e estaleiros.
Visitou amigos no cárcere, passando os controles sem passe
Tantas vezes. Mesmo em escritórios ele é visto, e ouvido
Nos auditórios. De tempos em tempos, põe um chapéu de aço,
Entra em tanques gigantescos e voa com bombas mortais.
Fala várias línguas, todas elas. E silencia em muitas delas.
É convidado de honra nos barracos, deixa inquietas as mansões.
Para mudar tudo e ficar para sempre, ele veio; seu nome é Comunismo.

Manifestoon: Manifesto Comunista em desenho animado

Publicações não faltam sobre o Manifesto, mas se você prefere assistir do que ler, também existe alternativa: Manifestoon.

Ei-lo:

Editora Sundermann: Manifesto Comunista e Princípios do Comunismo

O Manifesto Comunista é uma das obras mais fáceis de se encontrar desde livrarias e bancas de revista até ínumero portais na internet. Mas não podemos deixar de recomendar a publicação do Manifesto feita pela Editora Sundermann como volume da Coleção 10.

Na edição da Sundermann é possível encontrar ainda a obra de Engels que serviu de base para o manifesto escrito por Marx: Princípios do Comunismo.

manifesto

Bianchi: O espectro do manifesto

capa_revista_01Há 10 anos, por ocasião dos 150 anos do Manifesto Comunista, o companheiro Álvaro Bianchi escreveu o artigo "O espectro do Manifesto. A propósito dos 150 anos de uma teoria da ação revolucionária" que vale muito a pena ser revisitado.

O artigo foi publicado na primeira edição da revista Outubro e pode ser lido tanto no blog de Álvaro como no blog da Revista Outubro.

160 anos do "Manifest der Kommunistischen Partei"

Capa do Manifesto Comunista

No dia 21 de fevereiro de 1848 foi publicado pela primeira vez o Manifesto do Partido Comunista. Passados 160 anos e apesar das décadas de traição do stalinismo e da ofensiva ideológica neoliberal pós queda do muro de Berlim, o espectro do comunismo que rondava a Europa de então, promovendo revoluções e derrubando governos, segue atual e vigoroso.

Mais do que um texto clássico, o manifesto escrito por Marx e Engels, foi ao seu tempo, um guia para a ação revolucionária se enfrentando teoricamente com os pilares do capitalismo e apresentando um programa para mobilizar as massas trabalhadoras. As bases teóricas sobre as quais se ergue o marxismo se encontram no manifesto que apesar de seu conteúdo didático não se propõe a, em hipótese alguma, simplesmente conhecer o mundo, mas a transformá-lo.

O manifesto e seu veredito “a história das sociedades até os nossos dias, não foi senão, a história da luta de classes”, chega a 2008 mais atual do que nunca. Da mesma forma, mais urgente e necessário do que nunca, está o chamado final do manifesto: "proletários de todo o mundo, uni-vos".

Leia na seção de teoria do portal:

  • O texto em pdf, da Editora José Luís e Rosa Sundermann, que reúne prefácios das diversas edições e o texto escrito Trostky, por ocasião dos 90 anos do Manifesto.
  • As lições do Manifesto Comunista, texto de Francisco de Andrade publicado em 23/08/2007

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Deputado propõe que “caveira” do Bope se torne patrimônio cultural


O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP-RJ), 26, filho do ultra-direitista propôs que a caveira, símbolo do Bope (Batalhão de Operações Especiais), e o uniforme preto do batalhão se tornem patrimônios culturais do Rio de Janeiro. Bolsonaro alega que fez o projeto "movido pela tropa", revelando que idéia foi de integrantes do Bope que se sentiam ameaçados com a informação de que a farda mudará de cor e com o boato de que o símbolo da caveira será substituído. “Eles não querem perder essa mística”, disse.

O Bope foi criado em 1978, sob a ditadura militar. Seus métodos foram conhecido em todo país através do filme Tropa de Elite: torturas, assassinatos indiscriminados e todo tipo de desrespeito aos diretos humanos são a rotina dos “caveiras”.

Talvez seja isso que atraia o deputado e seu pai o ultra-direitista Jair Bolsonaro, deputado federal. Defensor da tortura, da ditadura e da pena de morte, Bolsonaro é autor das frases mais absurdas que saíram do Congresso nos últimos anos. Em julho de 1999, sobre as acusações de tortura contra um delegado da PF, Bolsonaro afirmou: "Isso é que dá torturar e não matar." Bem ao estilo do Bope.

Durantes exercícios militares os soldados entoam gritos de guerra do tipo: “homem de preto, qual é sua missão? / É invadir favela e deixar corpo do chão”. Algo que dá uma pequena dimensão do que são as operações da tropa e também das razões de não querer mudar a cor de seus uniformes.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Poesia: Confissão de um terrorista!

Mahmud Darwish é é um poeta palestino nascido em 1941 em Al-Birwah, 7 anos antes da grande invasão sionista. Mahmud Darwish é um dos maiores poetas árabes da atualidade. O especial sobre Palestina no nosso portal traz uma coletânea de poesias de Darwish, a que publicamos aqui chama-se "Confissão de um terrorista".

Ocuparam minha pátria

Expulsaram meu povo

Anularam minha identidade

E me chamaram de terrorista

Confiscaram minha propriedade

Arrancaram meu pomar

Demoliram minha casa

E me chamaram de terrorista

Legislaram leis fascistas

Praticaram odiada apartheid

Destruíram,

dividiram,

humilharam

E me chamaram de terrorista

Assassinaram minhas alegrias,

Seqüestraram minhas esperanças,

Algemaram meus sonhos,

Quando recusei todas as barbáries

Eles...mataram um terrorista

Animatunes: Cartão corpoativo

Enquanto a pizza dos cartôes corporativos não fica pronta, o assunto tem servido de inspiração permanente aos chargistas. A charge animada abaixo é do pessoal do animatunes.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Vitoriosa a greve geral no País Basco

Comércio fechado em Bilbao. No detalhe: uma bandeira do Brasil na fachada.


Cabeceira da marcha em Bilbao.


Marcha em Bilbao - vista de trás

A greve geral convocada pela esquerda abertzale (independentista) paralisou boa parte do País Basco ("Euskal Herria") nesta quinta-feira, 14 de fevereiro.

A paralisação - convocada em repúdio aos ataques do Estado Espanhol, que na semana passada decretou a ilegalidade de dois partidos da esquerda abertzale - foi bastante vitoriosa. Em muitas cidades, como Bilbao e Donostia, grande parte do comércio ficou fechado, e o movimento nas primeiras horas da manhã parecia com um domingo. A paralisação também obteve êxito em muitas indústrias.

As ruas das cidades só se encheram de gente quando foram tomadas por grandes marchas e passeatas, várias durante o dia, em diferentes horários. Algumas cidades chegaram a ter três passeatas, uma de manhã, uma ao meio-dia, e outra ao final da tarde. Em Donostia, mais de 10 mil pessoas participaram da marcha pela manhã. Em Bilbao, a marcha da manhã reuniu cerca de 5 mil pessoas, e a do fim da tarde (que entrou pela noite) alcançou os 10 mil participantes.

No geral, as estimativas são de que mais de 40 mil pessoas tenham marchado pelas ruas em todo o País Basco. Isso sem contar os milhares que aderiram à greve, mas não marcharam. Mais informações no portal alternativo La Haine.

A jornada de hoje, com uma vitoriosa greve geral política, foi um recado claro ao governo de Zapatero, e ao juiz Baltazar Garzón, de que não conseguirão calar a voz do povo basco com repressão e censura.

Abaixo, dois vídeos das mobilizações:



domingo, 10 de fevereiro de 2008

Povo basco reage à ofensiva do Estado Espanhol




Neste domingo, 10 de fevereiro, milhares de pessoas tomaram as ruas de Bilbao, no País Basco (território ocupado pela Espanha) para protestar contra a ofensiva desencadeada pela Justiça espanhola contra os partidos da esquerda abertzale (a esquerda independentista basca). Ocorreram diversos confrontos com a polícia e foram levantadas barricadas.

As manifestações deste domingo foram convocadas após uma semana em que ativistas bascos foram presos, e na qual o juiz Batazar Garzón decretou a suspensão das atividades de dois partidos da esquerda abertzale, ANV e EHAK.

A reação do povo basco a essa ofensiva do Estado Espanhol não se fez esperar: desde sexta-feira ocorreram ataques de ativistas com coquetéis molotov contra as sedes do PSOE (o partido do primeiro-ministro Zapatero) nas cidades bascas, bem como contra sedes do PNV (Partido Nacionalista Basco), o tradicional partido burguês que sempre se apropriou do nacionalismo basco, acusado de colaboracionismo com a política repressiva de Madrid.

Após os enfrentamentos massivos de hoje em Bilbao, a esquerda abertzale convocou uma jornada de greve-geral para a próxima quinta-feira.

Mais informações sobre a situação em "Euskal Herria" (País Basco), podem ser obtidas nos portais de informação alternativos La Haine e Gara, bem como também no blog da ASEH (Associação de Solidariedade com Euskal Herria), de Portugal.

Um primeiro vídeo com imagens dos confrontos do domingo já foi divulgado no blog da ASEH:


Segue abaixo um outro vídeo, em homenagem à luta basca, também postado no blog da ASEH:


sábado, 9 de fevereiro de 2008

Ellos se atrevieron

"Ellos se atrevieron" é um belo e muito bem feito documentário sobre a revolução russa de 1917 realizado pela produtora de videos argentina Contra Imagen. O documentário está disponível via YouTube em 13 episódios que juntos somam 116 minutos. Os adeptos de download via emule podem conseguir o documetário no rebeldemule.

Aos que possuem internet banda larga e um pouco de tempo é uma boa pedida para assistir neste domingo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Bloco de professores do Recife critica patrocínio à Mangueira

O prefeito João Paulo, do Recife, deve estar até agora com ressaca desse carnaval. Investiu três milhões para que a Mangueira deixasse de lado a homenagem à Cartola e a escola conseguiu um 10º lugar, o pior resultado desde 1994. Como se não bastasse, teve de aguentar os protestos do povo pernambucano, que não engoliu o patrocínio.

O primeiro protesto veio no bloco dos professores municipais, que desfila toda sexta-feira antes do carnaval. Este ano o bloco teve como enredo o dinheiro dado à Mangueira. Cerca de 100 pessoas, entre professores, estudantes e sindicalistas, desfilaram com camisas vermelhas, onde lia-se "nossas crianças não estudam na Mangueira". O enredo era mais ou menos assim:

"Nossa vida é um carnaval.
o professor brinca sem condição
o salário só dá pra comer
falta respeito com a educação

O prefeito não liga pra isso não
nem aplica a verba na educação
as escolas estão sem carteiras
mas ele deu 3 milhões pra Mangueira

O bloco foi organizado pelo Simpere, sindicato que filiou-se recentemente à Conlutas e que dirigiu uma greve vitoriosa da Educação no ano passado, que obrigou João Paulo a conceder 8% de reajuste salarial.

O outro protesto veio no desfile do bloco Quanta Ladeira. O bloco todo aderiu a uma grande vaia ao prefeito, puxada pelo cantor Lenine.

Leia o artigo Ó Mangueira, cadê teu passado de glórias?, de Wilson H. Silva

Duas caras ou uma só?


Há algum tempo, nossa redação vinha discutindo a necessidade escrever sobre a telenovela da rede Globo Duas Caras, o mais novo lixo televisivo da emissora. A importância dessa pauta está no fato de que Agnaldo Silva, ex-suposto-progressista e autor da mesma, ataca constantemente o movimento organizado. Fora, é evidente, todo o resto de preconceito e padrões sociais impostos que não são mérito de Duas Caras: assim operam as novelas, para determinar comportamentos e criar falsas realidades.

Foi também uma sugestão do nosso leitor Diogo, que já militou no movimento estudantil. Com toda razão, ele classificou o programa de “ofensa a todos os militantes”.

Para a nossa alegria, Gabriel Priolli, jornalista e professor da PUC-SP, escreveu uma boa análise do folhetim de Agnaldo Silva. O texto Duas Caras para um só discurso foi publicado no Observatório da Imprensa no dia 22 de janeiro passado. Priolli destaca que “delineia-se ali um perfil de regressão geral no debate democrático e de fortalecimento do ‘pensamento único’, ou do pensamento conservador que a máquina coordenada da mídia quer fazer passar por verdade universal”. O pensamento único, nesse caso, é o liberal, e seus emissores “fazem proselitismo de seu ideário, em absoluta sintonia com a perspectiva patronal”.

Neste artigo, Priolli detém-se em dois aspectos. O primeiro deles, o ataque à organização estudantil, é o mais gritante. Atualmente, o conflito da novela é o caso de racismo em que o estudante negro Rudolf Stenzel (Diogo Almeida) é estereotipado com um militante mau-caráter, desonesto e oportunista. O reitor Francisco Macieira (José Wilker) é a vítima do oportunismo de Rudolf que o acusa de racismo.

Antes disso, uma ocupação de reitoria – ou invasão, como prefere a Globo – na Universidade Pessoa de Moraes mostrou um movimento estudantil que depredou o patrimônio e fez negociatas com professores oportunistas. Nada a ver com a realidade das ocupações de reitoria que varreram o país em 2007.

O outro aspecto é a favela da Portelinha, um paraíso sem crime, sem violência, sem tráfico. O ditador Juvenal Antena (Antônio Fagundes) é o líder do povo na favela. Ele tem práticas antidemocráticas, nunca realizou uma reunião de bairro sequer para ouvir os moradores, mas é o mocinho incontestado e adorado por todos.

Felizmente, a audiência da novela não está entre as melhores da rede Globo. A novela iniciou com 40 pontos no Ibope, considerados baixos para horário e perfil de programação. Contudo... o folhetim vem disparando em anúncios comerciais. Isso sugere uma reflexão.

Leia aqui o artigo de Gabriel Priolli.

Marxismo e alienação

Tem especial novo no portal. "Marxismo e alienação" agrupa uma coletânea de artigos de Marcos Margarido que apresentam um resumo da visão marxista sobre a alienação e sua relação com a religião, o trabalho e a mercadoria. São 7 textos de leitura rápida e agradável:
  1. Alienação e religião
  2. Da sociedade burguesa a uma nova concepção de homem
  3. Marx e a alienação do trabalho
  4. O fetichismo das mercadorias
  5. A coisificação do homem e a mulher como objeto
  6. Um burguês alienado?
  7. O papel do partido
Não deixe de passar lá.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Imigrantes turcos são atacados na Alemanha. Xô nazismo!


Nove imigrantes turcos morreram e dezenas ficaram feridos no último domingo em um incêndio na cidade alemã de Ludwigshafen. O edifício é habitado por famílias de imigrantes e abriga uma associação turca. Entre os mortos está uma mulher grávida e cinco crianças - um bebê chegou a ser atirado por parentes do alto do prédio e sobreviveu. As imagens da queda comoveram o país.

Duas sobreviventes afirmaram ter visto um desconhecido atear fogo a um carrinho de bebê no primeiro andar. Investiga-se se o incêndio foi mais um atentado de grupos neonazistas. Segundo a revista "Spiegel", foram descobertas várias pichações com mensagens de conteúdo xenófobo no edifício, mas se investiga se elas tinham sido feitas antes ou depois do incêndio. Na Véspera de Ano Novo, 15 jovens de extrema-direita atacaram com paus uma família afegã, em um distrito de Berlim.

A Alemanha tem 15 milhões de habitantes de origem imigrante, a maioria de turcos, cuja primeira leva de imigrantes chegou ao país nos anos 50, e ajudaram a reconstruí-lo após a guerra. Nos últimos anos, o país assiste ao retorno do neonazismo, que se apóia no aumento do desemprego e nos ataques ao nível de vida. Culpando os imigrantes, a extrema direita foi responsável por 15.914 ataques apenas em 2005, sendo que 958 violentos.

A xenofobia conta ainda com uma cara política do país, com o Partido Nacional Democrático (NPD). Claramente simpático ao nazismo, obteve 7,5% dos votos na eleição de 2006, com cartazes com fotos de famílias turcas carregando bagagens sob o slogan ´Tenham uma boa viagem para casa.

Cartão vermelho

Do charges.com.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Conversa de Rua: Outros carnavais

Eis a terceira crônica de João Paulo especial para o portal do PSTU. Nesta, dois amigos conversam em uma mesa de bar sobre o carnaval que recém findou. É só clicar no "play" e em seguida deixar sua opinião. Caso o "player" não esteja visível para você acesse direto nossa conta no podOmatic.



Outros carnavais

João Paulo da Silva

Quarta-feira de cinzas. Dois amigos conversam em uma mesa de bar. O assunto: carnaval. Um deles suspira e diz:
- É. Mais um.
- Mais um o quê?
- Mais um carnaval longe do povo.
- Que história é essa?! O carnaval é uma das festas mais populares do Brasil! Do povo mesmo!
- Já foi. Já foi. Hoje nem tanto. Não se fazem mais carnavais como antes.
- Como não?! Você não viu o desfile das Escolas de Samba? Uma coisa linda!
- Sim, sim. Claro que vi. Mas onde estava o povo?
- Como assim “onde é que estava o povo”?
- É. Onde estava? Eu lhe digo onde estava. Estava fora da Sapucaí. Ou no máximo no final da arquibancada De onde não se vê nada.
- Mas pera aí! E os enredos?!
- Outra decepção. Tanta coisa boa pra falar, tanta coisa pra denunciar... E os caras preocupados com a Família Real! Ah! Pelo amor de Deus! E a Mangueira?! E a Mangueira?! Esqueceu do Cartola! Pode?
- É... acho que você tem razão. Mas... não sei se...
- Olha, vou te falar uma verdade. Carnaval é festa do povo. Se não tem povo, não é carnaval. E outra. Faz tempo que as escolas de samba esqueceram o povo e se agarraram com os patrocinadores. Você não viu aquele monte de propaganda?!
- Mas será que você não tá exagerando?
- Não. Tô não. Olha por aí. É tudo baile fechado, festa de grã-fino, a pessoa tem que pagar uma fortuna se quiser brincar. A nossa sorte é que os blocos de rua não morreram. Lá a gente se diverte de verdade. Como em outros carnavais.
- Pois é... Parece que dessa vez o povo ficou fora da farra, né?
- E por falar em farra... Tem visto as notícias?
- Mais ou menos. Por quê?
- Porque nesse tempo de carnaval quem tá fazendo a farra mesmo são os ministros do Lula. Você não viu a história dos cartões? Um absurdo! Os caras tomando chopinho, comendo tapioca, pagando jantar caro... Tudo com dinheiro do povo, rapá!
- Mentira?!
- Sério! Tô falando. E a gente aqui. Com o feijão pela hora da morte, sem saúde, sem emprego, sem educação.
- Esse governo é demais, hein! Imagina se fosse uma escola de samba.
- E o samba? Como seria o samba?
- Esse eu até já sei. “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão!”
- E se fosse um baile?
- Aí teria que ser de máscaras. Que é pra ninguém ser reconhecido.
- Viu só?
- O quê?
- Carnaval é isso. É irreverência, é satirizar os poderosos. Ridicularizar mesmo essa banda toda aí.
- Mas vem cá. Você acha que o carnaval deles vai ter fim?
- Claro que vai! Todo carnaval tem sua quarta-feira de cinzas, não tem? Pois então! Mas pra isso a gente precisa primeiro começar o nosso. Até mesmo porque já tá mais do que na hora de esquentar a bateria.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

É carnaval! É tempo de farra!

GilmarCarnaval2

Gilmar

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Fausto

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Fernandes

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Myrria

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Ronaldo

Corporativo

E como não podia deixar de ser o enredo nota 10 dos chargistas ficou por conta dos cartões corporativos.

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Alecrim

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Angeli

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Erasmo

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Pelicano

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Solda

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Sponholz

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

2007: Nunca na história desse país... (III)

E o Plano de Aceleração do Crescimento de Lula de fato trouxe bons resultados (para poucos é claro, mas trouxe). Um número publicado em janeiro que merece atenção é o do crescimento do número de milionários. Em 2007, 60 mil novos milionários somaram-se ao clube dos 130.000 brasileiros podres de ricos. Juntos, esses agora 190 mil milionários, possuem uma fortuna estimada em 675 bilhões de dólares.

O dado é da consultoria The Boston Consulting Group (BCG) e foi divulgado no dia 15 de janeiro.

Aqui é preciso lembrar alguns números:

1) O Brasil possui 186 milhões de brasileiros. 190 mil pessoas é praticamente 0,1% da população.

2) O PIB brasileiro está na casa dos US$ 1.3 tri.

Ou seja 0,1% da população concentra meio PIB. Pois é... nunca na história desse país os ricos ficaram tão ricos.

"Nova central cresce e incomoda Lula"

O título de nosso arremesso é também o título da matéria assinada por Luciana Nunes Leal para a edição de hoje do jornal "O Estado de São Paulo". A matéria trata do crescimeno da CONLUTAS, do episódio da vaia ao Haddad e da possível greve geral dos servidores se o governo não recuar da política de congelamento de salários.

Leia direto no portal clicando aqui, ou baixe o PDF em nossa conta no DivShare clicando aqui.

* Atualizado em 05/02/2008: Incluída imagem e link pro PDF da matéria.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Conversa de Rua: Uma metáfora para o mundo contemporâneo

Em sua nova crônica especial para o portal do PSTU, João Paulo da Silva, relata uma conversa de rua com um dono de uma banca de revista sobre um tema sempre muito atual: a luta do povo palestino. O áudio leva a voz de Giambatista Brito e Nestor Bezerra.




Uma metáfora para o mundo contemporâneo

Por João Paulo da Silva

Andando tranqüilo no centro da cidade, não pude deixar de bater os olhos na manchete de um jornal numa banca de revistas: "Hamas diz que lançará foguetes enquanto Israel mantiver ocupação". Percebendo meu interesse pelo assunto, o dono da banca comentou:

- Esses sujeitos são todos uns fanáticos. Vivem metidos nessa guerra sem sentido.Um bando de terroristas doidos que só querem explodir tudo. Eu é que não me meto nisso. Estão todos errados.

A argumentação daquele homem nada mais era do que a simples repetição da propaganda da turma do Tio Sam. Eu que não tenho nenhuma simpatia pelo Hamas podia até ter ficado calado. Mas como isso não é do meu feitio não me contive. Na mesma hora me ocorreu uma metáfora para explicar o caso.

- O senhor tem casa? - perguntei.

- Claro que tenho. Por quê?

- Então imagine só a situação. É madrugada. O senhor e sua família dormem tranquilamente. De repente ouvi-se um estrondo. Parece que vão derrubar a casa. Rapidamente um exército armado até os dentes invade o quarto, apontando fuzis para a cabeça do senhor e de sua família. Os homens armados mandam vocês saírem da casa. Do contrário, todos vão morrer. Eles dizem que a partir daquele momento a casa não lhes pertence mais. Faz parte agora de um Novo Estado que eles estão fundando. O que o senhor faz?

- Saio, ué?! Não tô querendo morrer.

- Exatamente. No primeiro momento o senhor e sua família decidem sair. Mas depois você percebe que aquele exército não queria apenas a sua casa. Queria também a dos seus vizinhos. E a dos vizinhos dos seus vizinhos. E a dos vizinhos dos vizinhos dos seus vizinhos. Aí o senhor se dá conta de que tudo aquilo é na verdade parte de um projeto de dominação. Que na realidade o que eles querem mesmo é controlar toda a região. Tudo isso porque descobriram que naquelas terras – suas e de seus vizinhos, diga-se de passagem – existe muito petróleo e que vale uma fortuna. Então, o exército fortemente armado começa a empurrar o senhor, seus parentes e seus vizinhos cada vez mais para fora daquela terra. De modo que, em pouco tempo, todos vocês estão vivendo como escravos em verdadeiros campos de concentração, sofrendo bloqueios e passando necessidades. Aí o que é que o senhor faz?

- Aí eu me revolto, ué?! Os caras roubaram minha casa e, me expulsaram da minha terra e ainda maltrata minha família!

- Exatamente! Esta situação é muito cruel. Sendo assim, o que o senhor fará todas as vezes que passar na frente de sua casa tomada pelos invasores?

- Ahhhh moço!!! Eu atiro uma pedra, um tijolo, um pedaço de pau! O que eu tiver na mão!

- Tudo isso porque o senhor quer de volta o que é seu. Mas digamos que o senhor não tenha apenas pedras e paus. Possui também bombas e foguetes. Usaria?

- Claro! Agora virou uma guerra!

- Pois é, meu senhor. É justamente essa guerra que vive o povo palestino.

Saí da banca de revistas imaginando o que aquele homem estaria pensando agora. No caminho pra casa, me lembrei da frase que certa vez ouvi de um trotskista chamado Valério Arcary: "Numa luta entre desiguais, permanecer calado é sempre apoiar o mais forte".


* Atualizado em 04/02/2008: O áudio passa a ficar disponível. Estamos experimentando o servidor de podcast podomatic. Não deixe de postar sua opinião, tanto sobre a crônica como sobre o serviço de áudio. Sugestões são muito bem vindas.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Rap Árabe: Quem é o terrorista?

DAM

"Meen Erhabe?", ou "Quem é o terrorista?" é o nome de uma das músicas do grupo de hip hop árabe DAM (دام) fundado no ano de 1998 em Israel por 3 palestinos: Suhell Nafar, Mahmood Jrere e Tamer Nafar. O nome do grupo é uma abreviação de "Da Arabic MC´s" e possui ainda dois outros significados dependendo da língua: Em árabe significa "eternidade" e em hebreu, "sangue".

No YouTube é possível encontrar uma série de clips do rap. O que publicamos aqui já foi assistido mais de 67 mil vezes.


Segue a tradução da letra para o português:

Quem é o terrorista?
Eu sou o terrorista!?
Como sou eu o terrorista quando é você que tomou minha terra?
Quem é o terrorista?
Você é o terrorista!
Você tomou tudo o que me pertencia enquanto eu vivia em meu lar.

Você nos mata assim como matou nossos antepassados
Você quer que eu recorra à lei?
Para quê?
Se tu és a testemunha, o advogado, e o juiz
Serei condenado à morte
Você nos quer como minoria?
Para acabar como a maioria no cemitério?
Em seus sonhos!!
És uma democracia?
Na verdade, és mais parecido com os nazistas!
Seus inúmeros violadores da alma árabe
Finalmente a impregnaram
E ela deu a luz a seu filho
Seu nome: homem-bomba
E agora você o chamá de terrorista?
Você me ataca, e ainda reclama
Quando o lembro que foi você quem me atacou
Você me silencia e grita:
"Como você permite que suas ciranças nos atirem pedras
Não têm pais para mante-los em casa?"
Quais?
Você se esquece que nossos pais estão enterrados sob os escombros de nossas casas?
E agora, enquanto a minha agonia é tão imensa
Você me chama de terrorista?

Quem é o terrorista?
Eu sou o terrorista!?
Como sou eu o terrorista quando é você que tomou minha terra?
Quem é o terrorista?
Você é o terrorista!
Você tomou tudo o que me pertencia enquanto eu vivia em meu lar.

Por que terrorista?
Porque meu sangue não é calmo… ele é ebulição
Porque eu matenho minha cabeça erguida pela minha terra
Você matou meu entes queridos
Agora estou sozinho
Meus pais expulsos
Mas vou continuar a gritar
Eu não sou contra a paz
A paz é contra mim
Ela vai me destruir
Você não pode ouvir a nossa voz
Você nos silenica e nos degrada
E quem é você?
E quando você se tornou governante?
Veja agora os muitos que matou
E quantos órfãos você fez
Nossas mães estão chorando
Nosso pais estão angústiados
Nossa terra está desaparecendo
E eu vou dizer-lhe quem é você:
Você cresceu na bonança
Nós crescemos na pobreza
Quem cresceu com a liberdade?
E que cresceu em concentrações?
Nossa luta é por liberdade
Mas você faz dela crime
E você o terrorista!

Quem é o terrorista?
Eu sou o terrorista!?
Como sou eu o terrorista quando é você que tomou minha terra?
Quem é o terrorista?
Você é o terrorista!
Você tomou tudo o que me pertencia enquanto eu vivia em meu lar.

Quando vou parar de ser um terrorista?
Quando você me pressiona e quer minha outra face
Como você espera que eu agradeça a alguém que me prejudicou?!
Diga-me! Como você quer eu seja?
Ajoelhou-me com as minhas mãos atadas,
Meus olhos para o chão
Rodeado de corpos
Casas destruídas
Famílias expulsas
Nossas crianças órfãs
A nossa liberdade encarcerada.
Você oprime
Você mata
Nós enterrarmos
Continuaremos pacientes
Superaremos a dor
O mais importante para você é se sentir seguro
Basta relaxar e nos deixar com nossa dor
Você vê nosso sangue como o de cães
NÃO MESMO
Cães quando morrem recebem sua simpatia
Nosso sangue não é tão valioso como o dos cães
Meu sangue é precioso
E vou continuar me defendendo
Mesmo se você me chamar de terrorista

Quem é o terrorista?! Quem é o terrorista?! Quem é o terrorista?!

Pela reintegração de Orlando Chirino na PDVSA!


Os ataques contra a esquerda classista na América Latina não param. Mais um grave ataque foi perpretado na Venezuela, onde a direção da empresa estatal de petróleo, a PDVSA, demitiu sem justa causa o companheiro Orlando Chirino (foto ao lado), importante dirigente sindical do país, coordenador da UNT (União Nacional dos Trabalhadores).

A demissão tem clara motivação política, e foi uma vingança dos dirigentes chavistas da empresa contra Chirino, por este ter se posicionado contrário à Reforma Constitucional de Chavez, que foi derrotada nas urnas. Além disso, Chirino se manteve firme na luta dos trabalhadores petroleiros da PDVSA no ano passado, que exigiam um contrato coletivo de trabalho digno, através de mobilizações que chegaram a ser reprimidas violentamente.

Mais detalhes sobre a demissão de Chirino podem ser vistos neste artigo em espanhol.

O site da CONLUTAS está divulgando uma campanha internacional de solidariedade pela reintegração de Orlando Chirino na PDVSA. Para mais informações veja esta página.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

É carnaval!

Fevereiro chegou e com ele chega também o carnaval. Como não podemos ficar de fora dessa grande manifestação popular e nacional, trazemos para o nosso blog o "Samba da mais valia", de Sérgio Silva, gravado no início de 2005.