terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sobre o PSTU e a crença no divino.

Pra começo de conversa sou ateu irredutível, tal como nos termos do velho em seu testamento. Não creio em Deus, no Espirito Santo, na santa Igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo nem muito menos na vida eterna. E é claro não concordo com meu camarada Iskra sobre a existência do divino.

Mas o ateísmo não é um princípio de nosso partido, não faz parte de nosso programa, aliás tal como coloca nosso camarada Rodrigo Ricupero no artigo "Os marxistas e a religião", "respeitamos o sentimento religioso assumido por boa parte dos trabalhadores do país" e "temos um respeito ainda maior por aqueles que querem transformar a sociedade e são religiosos, pois não utilizam as religiões, em suas diversas formas, para manter a dominação dos poderosos".

O que não quer dizer que os que entre nós somos materialistas não estamos dispostos a defender nossas posições, obviamente estando abertos ao debate, mas sem deixar de afirmar que "não há marxismo conciliável com a crença em entidades sobrenaturais" tal como faz o camarada Zé Luis, no artigo que tanto incomodou meu bom amigo Iskra. Recomendo a leitura do artigo de Zé Luis, mesmo sobre os protestos do co-fundador do blog Molotov, acerca das posições políticas de Dawkins. Assim como volto a recomendar a leitura do "Por que somos ateus" de Henrique Carneiro.

Sabemos que esse é não é um debate fácil, e independente dele, seguimos apresentando nosso partido como a casa certa para todos os lutadores honestos, sejam ateus, religiosos ou o que quer seja, para que possamos juntos, e através de nossa luta revolucionária, construir um mundo absolutamente novo, na terra, e durante nossas vidas.

8 comentários:

Iskra disse...

Ao grande camarada Incendiário, tenho a afirmar apenas que:

1) Vocês ateus tem todo o direito de defender o ponto de vista de vocês. O que não significa que nós teístas tenhamos que aceitar calados tal ponto de vista, sem replicar. Nós podemos e devemos replicar, sem nenhum tipo de receio, nem preocupação a respeito "do que eles vão pensar de mim", como às vezes acontece com muitos camaradas que acreditam em Deus mas tem vergonha de assumir publicamente e polemizar.

2) Do meu ponto de vista, embasado filosoficamente, a afirmação "não há marxismo conciliável com a crença em entidades sobrenaturais" se analisada do ponto de vista booleano (se Verdadeira ou Falsa)só pode gerar um resultado: FALSO. É uma afirmativa falsa porque existe sim TOTAL COMPATIBILIDADE entre a crença em Deus (ou vários deuses) e os princípios do materialismo histórico-dialético (tanto enquanto uma Teoria da História, quanto enquanto método para a ação revolucionária para a transformação da realidade).

3) Nem Trotsky, nem nenhum outro autêntico revolucionário marxista, propuseram jamais proibir os cultos religiosos em um Estado Operário. A posição defendida sempre foi apenas a de proibir que as Igrejas, enquanto instituições, possuíssem bens imóveis de propriedade privada: terras, palácios, colégios particulares, etc... Quem quiser proibir os evangélicos de continuarem celebrando seus cultos após a Revolução, vai ter que ser coerente e defender também a proibição dos umbandistas tocarem seus tambores para Iemanjá (quero ver terem coragem de defender isso, uma vez que serão imediatamente rotulados como racistas).

Thiago Baptista disse...

Camarada "Iskra", com todo respeito, seu último tópico é muito ruim, recheado de incongruências e mal entendidos com relação ao ateísmo.

Pra começar, você abusa da falácia ad hominem, isto é, atacar as idéias de uma pessoa por conta de quem ela é. Isso se assemelha àqueles críticos (esse sim neoliberais) que atacam o marxismo porque "Marx tinha um caso com a empregada", ou porque "Engels era filho de um industrial".

O que está em discussão não são as posições políticas de Dawkins, mas suas elaborações sobre a religião.

O companheiro, de forma totalmente falaciosa, descarta os argumentos de Dawkins porque ele "é neoliberal" e sustenta a superioridade de Jay Gould porque ele era "simpatizante do marxismo".

Isso é tão absurdo quanto dizer que a música erudita é uma música liberal por ser a música mais apreciada pela elite européia, e que a música nacional com instrumentos como a guitarra elétrica foi "deturpada pelo imperialismo estadunidense". Beira o STALINISMO esse tipo de análise.

O "darwinismo social" é uma DETURPAÇÃO to darwinismo que existe desde o séx XIX - enquanto "O Gene Egoísta" foi publicado na DÉCADA DE 80. Então, dizer que os neoliberais se embasam em Dawkins é um erro no mínimo temporal.

Além disso, sugiro fortemente ao companheiro que LEIA os trabalhos de Dawkins e procure conhecer um pouco mais o método científico; a teoria do gene egoísta é uma hipótese baseada na OBSERVAÇÃO CIENTÍFICA de uma determinada realidade, e não um "achismo" baseado num determinado humor político. Em seu livro, Dawkins apresenta EVIDÊNCIAS que corroboram suas análises, e não suposições baseadas num "espírito neoliberal".

Por fim, há um abismo INTRANSPONÍVEL entre o materialismo histórico (que no fundo é a suposição de que a História é determinada pelas atitudes dos SERES HUMANOS) e a crença em divindades (que AFIRMAM que a História é designo das vontades de um deus mimado). É PRA SENTIR VERGONHA SIM, camarada, me perdoe a sinceridade.

Desculpe se soei incisivo demais, companheiro, mas acredito que entre revolucionários deve imperar a mais absoluta sinceridade.

\\//

Thiago Baptista disse...

Um post scriptum: acreditar que possa existir religião descolada de algum tipo de opressão é uma UTOPIA REACIONÁRIA.

As religiões não trouxeram bem algum à humanidade, muito pelo contrário, são as maiores representantes no plano da superestrutura da exploração.

Não há religião sem MACHISMO, sem HOMOFOBIA, sem RACISMO e, principalmente, sem OBSCURANTISMO.

A religião pressupõe a "explicação simples", a aceitação sem questionar, a louvação da ignorância.

Acreditar em coisas para as quais não há a MENOR evidência, mesmo que nos planos mais ínfimos, é anticientífico e, portanto, antimarxista.

\\//

Anônimo disse...

Só tem um problema com o ateismo.

NINGUEM MORRE ATEU
So se for de queda repentina de avião ou for pego desprevenido.

Pode falar que é ateu que a gente não acredita. Na hora do vamos ver você reza!

É da natureza humana. Sejam sinceros com vocês mesmos.

Eu não acredito é em político brasileiro. Em nenhum de voces.

Thiago Baptista disse...

Sim, sim, claro, "ninguém morre ateu"...

Assim como as pessoas "só são comunistas até os 20 anos de idade"...

E como "as mulheres têm propenção biológica às tarefas do lar"...

Mas diga uma coisa, "anônimo", quando eu for abandonar meu ateísmo, pra que deus exatamente eu tenho que "rezar", hein?

Há milhares deles por aí... vai que, JUSTAMENTE na hora que o tal avião tá caindo, eu rezo pro DEUS ERRADO??

Ah... deve ser por isso que, na história da aviação, nunca houve um caso de aeronave condenada que "milagrosamente" se salvou... OS PASSAGEIROS SE CONFUNDIRAM DE DIVINDADE.

\\//

Jorge Porfirio disse...

Claro que é totalmente à toa o último comentário, primeiro porque muitos pensadores importantes morreram ateus, segundo porque o camarada demonstra mais uma vez pra que servem as religiões: pode-se desconfiar de tudo, porque tal niilismo horroroso está acobertado pela crença num deus bonito.
Também o tom assumido pelo camarada Iskra realmente é destemperado. É preciso ater-se a esta questão essencial: a devoção à causa do avanço da humanidade, da superação do capitalismo para que a humanidade possa desenvolver seu pleno potencial, admite outras devoções?
A resposta só pode ser não. Não queremos fazer a revolução e atingir algum dia o comunismo para que nosso cientistas e pensadores, que a essa altura se confundirão com a população como um todo, fiquem presos a concepções metafísicas. Queremos, pelo contrário, que avancem ainda mais na explicação das origens da vida e do Universo, da sua dinâmica etc. E mais, queremos que toda explicação resulte em tecnologia aplicável e massificável, que é a última etapa da dialética do conhecimento (entender, reproduzir e gerar um fênomeno novo, e daí entender e reproduzir, etc.). Conforme isso se concretizar, os homens terão tecnologia hoje impensáveis, hoje atribuíveis, na interpretação comum, somente aos deuses de ocasião. Quando o ser humano dobrar dimensões, arquitetar universos repletos de vida, então isso será ou não um desafio a deus, ou aos dogmas dos crentes sobre oslimites da ação humana?
A questão é outra: entendemos a necessidade dos trabalhadores assumirem explicações religiosas, e na verdade oferecemos apenas um método de pensamento em troca dessas ilusões. Isso, o método do materialismo histórico, é uma teoria revolucionária e crucial, mas, vamos ou venhamos, não é o suficiente para alguns. Alguns precisam de um mundo concreto em que não precisem olhar para os céus para ignorar as aflições de todo dia, em que se sintam seguros para confiar na humanidade, em abstrato, a partir da experiência com os homens, em específico --isto é, alguns só poderão confiar na humanidade quando o homem ao lado não estiver pronto pra apunhalá-los pelas costas. Reconhecer isso é necessário, e é por isso que o PSTU não exige o ateísmo de seus militantes.
Mas só pode compreender essa necessidade aquele que tiver absorvido com toda intensidade a dialética e o materialismo, e esses em algum ponto tiveram que abandonar a proteção paternal divina.

Alemão disse...

Amigos, as instituições como a lei, a economia, forças armadas e polícia, os meios de comunicação e todo o aparato estatal, são e sempre foram usados pelas classes dominantes para se manter no poder e controlar o povo.
O que te faz pensar que com a religião é diferente?

Assistam Zeitgeist:

http://video.google.com/videoplay?docid=-2282183016528882906

A primeira parte fala sobre religião.

cacos e coisas disse...

Miniconto: O Cara é imensamente religoso. O Cara passa por uma grande tragédia. Então o Cara vê: Deus não existe, não é nada. Torna-se, enfim, ateu.

Moral da história: Tem gente que se diz descrente e no "aperreio" torna-se religioso. Pos bem, o inverso acontece, também.