sexta-feira, 12 de setembro de 2008

"A desenvoltura de Joaninha"

O companheiro precariocn do blog Maloqueiro do Bem nos mandou o link para a matéria do Diário Catarinense sobre os bastidores da entrevista de nossa companheira Joaninha, candidata a prefeita de Florianópolis.

Estamos copiando aqui e agradecemos a contribuição do companheiro.

A desenvoltura de Joaninha

Imagine alguém que defende a revolução mundial, ama Zezé Di Camargo e Luciano, fuma despreocupadamente, tem coleção de cachecóis coloridos, toma café amargo e fala palavrão. Difícil? Esta é Joaninha de Oliveira, 49 anos, professora, sindicalista, mãe e militante fervorosa do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, o PSTU.

Joaninha nunca dissocia sua vida pessoal do trabalho ou das funções partidárias. Sua casa normalmente serve de local para reuniões do partido porque não tem com quem deixar as filhas. Ao mesmo tempo em que o grupo debate estratégias políticas, no fogão o feijão ferve em uma panela que já foi de pressão um dia.

Joaninha é simples, espontânea e não tem pudores. Fala sobre tudo e sobre todos com a mesma facilidade com que solta um palavrão.

No dia da entrevista, no final da tarde de segunda-feira, 25 de agosto, ela estava animada: havia participado do primeiro debate da campanha, na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Porque o seu partido não tem representação na Câmara dos Deputados ela quase sempre fica de fora.


A desenvoltura de Joaninha

De calça preta, blusa verde, bota, cinto largo e unhas pintadas de vermelho, diz que sua presença faz a diferença nas discussões porque é combativa. Sem meias palavras, revela impressões dos adversários enquanto abre uma janela escorada por duas colheres de pau.

Juvenal, o cachorro vira-lata adotado no início do ano em Jaguaruna, foi o primeiro a sentir as dificuldades na casa da candidata socialista: como a campanha toma tempo e as filhas Tainá, 13 anos e Ana Clara, 11, vão para a escola, o animal ficava muito sozinho. A solução? Entregá-lo para Carlos, o amigo comunista e candidato a prefeito em São José que tem uma casa com um terreno espaçoso.

- Ele está absolutamente confortável, nós vamos visitá-lo de vez em quando. Só não sei se ele volta para cá - brinca.

Enquanto passa um café e pede desculpas por não ter xícaras e pires iguais para botar na mesa, Joaninha serve-se de café forte, sem açúcar em um copo, e conta que se arrepende de não ter passado mais tempo com sua mãe. Empregada doméstica, costureira, doceira, Maria Moreira de Oliveira morreu repentinamente aos 58 anos, quando fazia o trajeto de Tubarão a Florianópolis para fazer os docinhos da festa de aniversário da filha.

- É meio maluco isso mas o mais materialista ou o mais marxista tem uma relação muito forte com a mãe. Eu voltaria atrás, ficaria mais tempo com ela.

Nascida em 4 de outubro, dia de São Francisco, ela não crê mais em religião. Já foi catequista e participou da Pastoral da Juventude, mas a convicção política falou mais alto.

- Fui militante ativa da Igreja Católica e não me arrependo. Hoje sou marxista, acredito que o bem é feito pelo homem. Quem pode transformar a sociedade para o bem são os trabalhadores - diz.

Seu dia perfeito? Aquele em que consegue fazer reunião do partido, ir à venda que fica na subida do Morro da Mariquinha ou que possa passar no Sindicato para conversar com os colegas professores.

- Um dia normal como o de qualquer ser humano. Para ser bem honesta, um dia perfeito é aquele em que a gente não tenha que se preocupar tanto com as dívidas, se vai dar para pagar a conta de água e luz no fim do mês.

4 comentários:

Anônimo disse...

Que pena que ainda exista gente que pensa que para ser revolucionário é preciso ser ateu...

Que pena que existe gente que pensa que existe contradição entre crer em Deus e acreditar que são os trabalhadores que devem mudar a sociedade com sua luta...

Thiago Baptista disse...

Que pena que há ainda pessoas que não percebem que é uma utopia reacionária crer que pode haver uma religião sem opressão.

Que pena que há pessoas que ainda achem louvável crer em algo para o qual não há nenhuma evidência, sendo isso o contrário do pensamento racional.

Que pena que ainda há pessoas que não percebem que a própria idéia de um ser maior que os humanos, que os observa e intervem em suas vidas, é a aniquilação do potencial humano de determinar sua História.

Mas... de QUE DEUS exatamente você estava mesmo falando, hein, "anônimo"?

\\//

tgbap disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Cientistas vêem imagem de Jesus no LHC!

E agora, ateus, o que vcs dizem??

http://www.sedentario.org/tecnologia/cientistas-veem-imagem-de-jesus-no-lhc-8026